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Filosofia de Trabalho II

Como continuação do post anterior, escrito há mais de 2 meses, dou sequência no tema da “Filosofia de Trabalho”, tão importante para quaisquer organizações, esportivas ou não.

O conhecido Club Atlético River Plate (Buenos Aires/ARG) foi rebaixado dentro de campo em Junho/2011. Fora de campo, afundado em dívidas. Realizaram eleições e assumiu um novo presidente – remunerado e de dedicação integral -, responsável por criar uma equipe de gestores que daria a volta por cima com o clube anos mais tarde, e conquistaria a Copa Bridgestone Libertadores de 2015.

Recorto aqui alguns trechos da matéria “This is the Story of the Fall and Rise of River” (Esta é a Estória da Queda e Ascensão do River) da renomada revista inglesa “Four Four Two”. Algumas das mudanças mais significativas foi o resgate da filosofia do clube e o estabelecimento de uma cultura e ética de trabalho.

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“Mas algo se destaca, a coisa mais importante foi filosofia. Nós voltamos às nossas origens, desde as categorias de base até a equipe principal, de respeitar o estilo que nos tornou grandes e a nossa maneira de se jogar futebol. ” (tradução nossa)

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“…River começou a desempenhar com os 3 Gs que foram uma parte importante da aproximação do clube com o seu jogo: Ganar (Ganhar), Gustar (aproveitar/divertir-se) e Golear (golear).” (tradução nossa)

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“E para o River, ser River novamente foi, sobretudo, uma vitória de caráter.” (tradução nossa)

É cada vez mais evidente a questão de estabelecer uma filosofia organizacional nas instituições esportivas. Os próprios resultados das grandes equipes de ponta nas mais diversas modalidades deixam isso ainda mais claro.

Feliz 7 a 1

Há um ano a seleção brasileira de futebol era derrotada pela Alemanha por 7 a 1 em plena semifinal de Copa do Mundo, jogada em casa. 5 a 0 ao intervalo. Inesquecível. Chocante e assustador. Eterno.

A Pátria é fundada através da história, de mitos, lendas e tradições. Em Portugal, são as conquistas pelo mar e a Língua Portuguesa com seus expoentes, como Bartolomeu Dias e Vasco da Gama (mar); Luís de Camões e Fernando Pessoa (língua portuguesa). Na Espanha (não em todo território), a Família Real. Na Catalunha e no País Basco, seus idiomas estão ao alcance de todos e expressam populações por séculos reprimidas. No Uruguai, o mate e o doce de leite.

Uma das instituições máximas de qualquer nação é o Exército. Ele defende e protege um povo, ou seja, o representa. Seus logros são também – simbolicamente – os de todo um povo. O Exército Brasileiro foi fundado na história da união das raças (o índio, o negro e o branco) para a expulsão dos holandeses na Batalha dos Guararapes, em 19 de Abril de 1648 (também Dia do Exército). Ao contrário de outros países, durante o período de consolidação do Estado-Nação do Brasil (século XX), as ações do seu Exército – no propósito dele – que mais ganharam projeção foram no exterior: FEB, Suez, Sinai e Angola.

Durante o século passado, o futebol alcançou grande popularidade. As publicações de Gilberto Freyre sobre a nação brasileira, fundada na mistura das raças, caíam no gosto dos intelectuais das principais cidades da República. Ao mesmo tempo o Brasil fazia muito boa campanha na Copa do Mundo de 1938, na França. Uma equipe constituída por integrantes de todas as raças que fazem o cotidiano do País. Não demorou muito para a seleção nacional de futebol se tornar a maior representante de todos os brasileiros. Para o bem e para o mal, gostem ou não, suas derrotas e vitórias passariam a ser decepções e realizações de todos.

O 7 a 1 de 8 de Julho de 2014 foi um nocaute. Não apenas dentro de campo. Além. Quem somos os brasileiros? De onde viemos e para onde iremos? Improviso ganha jogo (?)…no improviso conseguimos fazer um grande País? O “jeitinho brasileiro” é a nossa vantagem competitiva (?) …com o “jeitinho brasileiro” conseguimos fazer um grande País? O talento individual garante resultados (?) …com o talento individual sem um espírito coletivo seremos um grande País?
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Ambição, levar vantagem nas situações, fingimento, malandragem, individualismo – tão observados nos futebolistas brasileiros que nos representam em forma de Seleção e que a sociedade deixa um reconhecimento público – não são valores que fazem um grande País. Nessa linha de pensamento, a cultura da gorda gorjeta, o não respeitar a faixa de pedestre, o trânsito desorganizado (todos querem levar vantagem né?), o “Mensalão”, o “Lava Jato”, a politicagem nojenta e o desrespeito geral e irrestrito (que obriga por exemplo o governo do Rio de Janeiro a promover operações chamadas de “Choque de Ordem”) são espelhos do que somos. É medíocre. País sério não precisa promover choque de ordem. Em país sério a ordem é a tônica.

O placar de um ano atrás foi triste, mas pode ser um marco de mudanças para valorizarmos setores (sobretudo educação), comportamentos e princípios que farão o Brasil maior e melhor, multicampeão em todos os aspectos.

Lá da Armênia

Sou um grande fã do Papa Francisco.

Outro grande gesto dele foi dizer no último domingo que a primeira grande matança do Século XX foi o Genocídio Armênio (1915-1923), levado a cabo pelo Império Otomano. A Turquia herdou grande parte deste Império e não reconhece este fato. Por isso mesmo condenou o discurso do Papa e retirou o seu diplomata da Santa Sé, a fim de explicações.

Os armênios foram o primeiro povo que se constituiu como nação oficialmente Cristã. Tem pouco mais de 5 milhões de habitantes. Há muito mais descendentes de armênios espalhados pelo mundo. Diante do protagonismo político e econômico da Turquia, esse genocídio foi por muito tempo esquecido. Menos pelos armênios e descendentes. E agora, pelo Santo Padre! Em tempo: uma das contrapartidas para a Turquia ser aceita na União Europeia é o reconhecimento do Genocídio e pedido de desculpas formais.

A diáspora do povo armênio é consequência da perseguição dos Otomanos. Muitos deles vieram para o Brasil, Argentina, Estados Unidos e França. Por aqui pelo Brasil, contribuíram bastante para o esporte nacional:

Marcelo Djian é o 2ª da direita para a esquerda

Marcelo Djian é o 2ª da direita para a esquerda

Marcelo Kiremitdjian, ou simplesmente, Marcelo Djian, foi zagueiro do Corinthians, Lyon, Cruzeiro e Atlético Mineiro. Fábio Mahseredjian, um dos maiores profissionais em preparação física do futebol na atualidade. Krikor Mekhitarian, um dos maiores enxadristas do país. Na Argentina, David Nalbandian é notável tenista.

David Nalbandian

David Nalbandian

A Armênia é conhecida como a “Nação do Xadrez”. Entretanto, mundialmente temos como exponentes daquele país: Henrikh Mkhitaryan, atacante do Borussia Dortmund; Gokor Chivichyan é renomado treinador de MMA, que reside em Los Angeles/EUA; Karo Parisyan compete no MMA; Armen Nazaryan foi medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de 1996, na Luta Greco-Romana; e Arsen Julfalakyan, medalha de prata na mesma modalidade, em 2012.

Não nos esqueçamos do Genocídio Armênio cujo início completa 1 século neste ano.

Viva esse grande povo!

De Letras

Eduardo Galeano, escritor uruguaio, faleceu ontem. Conhecido mundialmente por obras como “As Veias Abertas da América Latina” e “Memória do Fogo”, eu tive ‘acesso’ a ele através do futebol. Como?!

Ora, meu livro de cabeceira é “O Futebol ao Sol e à Sombra” (1995). Leitura deliciosa que recomendo a todos os apaixonados pelo esporte e que vivem a cultura do futebol. Deixo aqui algumas frases marcantes deste livro:

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“É raro o torcedor que diz: ‘Meu time joga hoje’. Sempre diz: ‘Nós jogamos hoje’”.

“Durante mais de um século, o árbitro vestiu-se de luto. Por quem? Por ele. Agora disfarça, com cores”.

“O treinador dizia: Vamos jogar. O técnico diz: Vamos trabalhar”.

“Jogou, venceu, mijou, perdeu.” (sobre Maradona)

“Hoje em dia, o estádio é um gigantesco estúdio de televisão. Joga-se para a televisão, que oferece a partida em casa. E a televisão manda.”

“Uma jornalista perguntou à teóloga alemã Dorothee Solle: – Como a senhora explicaria a um menino o que é a felicidade? – Não explicaria – respondeu. – Daria uma bola para que jogasse”.

Sobre o estádio:

“Você já entrou, alguma vez, num estádio vazio? Experimente. Pare no meio do campo, e escute. Não há nada menos vazio que um estádio vazio. Não há nada menos mudo que as arquibancadas sem ninguém.

Em Wembley ainda soa a gritaria do Mundial de 66, que a Inglaterra ganhou, mas aguçando o ouvido você pode escutar gemidos que vêm de 53, quando os húngaros golearam a seleção inglesa.

O Estádio Centenário, de Montevidéu, suspira de nostalgia pelas glórias do futebol uruguaio. O Maracanã continua chorando a derrota brasileira no Mundial de 50. Na Bombonera, de Buenos Aires, trepidam tambores de há meio século.

Das profundezas do estádio Azteca, ressoam os ecos dos cânticos cerimoniais do antigo jogo mexicano de pelota.

Fala em catalão o cimento do Camp Nou, em Barcelona, e em basco conversam as arquibancadas do San Mamés, em Bilbao.

Em Milão, o fantasma de Giuseppe Meazza mete gols que fazem vibrar o estádio que leva seu nome.

A final do Mundial de 74, vencida pela Alemanha, continua sendo jogada, dia após dia e noite após noite, no estádio Olímpico de Munique.

O estádio Rei Fahd, na Arábia Saudita, tem camarote de ouro e mármore, tribunas atapetadas, mas não tem memória nem grande coisa que dizer.”

Obrigado, Galeano. Descanse em paz.

Eduardo-Galeano

Era uma vez em La Paz

Há alguns dias lembrei-me da Copa do Mundo FIFA 1994 e da sua fase de apuramento. Consequentemente não dá pra se esquecer da seleção boliviana daquela época. Era uma grande equipe: Carlos Trucco, Baldivieso, Erwin Sanchez, Etcheverry marcaram toda uma geração, como a minha.

A Bolívia não é conhecida pela excelência no esporte. Os recursos financeiros são escassos. O baixo IDH reflete nos recursos humanos que o país possui à disposição. A economia e o esporte boliviano são muito prejudicados pela dificuldade de acesso entre as diferentes regiões do país. O altiplano limita muito, tanto para quem é das terras baixas quanto para quem é de lá mesmo. Ademais, a falta de saída ao mar dificulta ainda mais o escoamento dos produtos com a finalidade de serem exportados. Tudo isso, somado aos diversos desafios econômicos e sociais, deixam a prática esportiva em segundo plano, com raríssimas exceções, como o piloto de ralis Jorge Salvatierra; o executivo da IBM internacional, Jorge Quiroga; a atriz radicada no México, Ximena Herrera; o empresário Marcelo Claure, CEO da Sprint (telecomunicações); e as seleções de futebol de 1963 (campeã da Copa América) e de 1993, que se classificou ao mundial de 1994, nos EUA.

No ano passado o Bolívar (equipe de La Paz, uma das capitais do país, a outra é Sucre) foi semifinalista da Libertadores. Beirou o protagonismo. Recentemente Evo Morales tem adotado uma postura distante da Venezuela e de Cuba, mais próximo das grandes economias e isso tem dado um novo rumo para o PIB nacional. Tomara que continue. Pelo bem do esporte, do jogo e da América do Sul, queremos – de volta – ver uma seleção boliviana como a da foto acima. Inesquecível.

Missionários

No universo do marketing esportivo fala-se muito da digressão, da excursão de equipes esportivas para o exterior para fins comerciais. Na primeira metade do século XX elas aconteciam mas com finalidades mais ‘românticas’. As equipes de futebol da Inglaterra, da Itália e da Espanha vinham com frequência para a América do Sul. No entanto, não havia a lógica de mercado como existe hoje.

Atualmente essas equipes vão para a Ásia e a América do Norte: é comum ver Arsenal, Manchester United e Internazionale jogarem contra times da MLS (Major League Soccer). Por outro lado, franquias e ligas da América do Norte vão para a Europa e Ásia, como a NFL que organiza jogos em Londres e a NBA que tem o “Global Tour”. Iniciativas como esta posicionam a franquia, o jogo, a liga e o país, Estados Unidos (isso explica de as logos das ligas estadunidenses terem as cores branca, azul e vermelha). No século XIX o beisebol já fazia a política externa americana.

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Se na antiguidade as Cruzadas e as navegações tinham como um dos objetivos a catequização de outros povos. As digressões esportivas não deixam de ser diferentes, mas com outra religião.

Multinacional

Temos na história alguns casos de megaeventos esportivos multinacionais. As Copas do Mundo de Rugby de 1991 e de 2007 são exemplos, além da EURO 2000 (Bélgica e Holanda) e do Mundial FIFA de 2002 (Coreia do Sul e Japão).

No entanto a proposta para o campeonato europeu de seleções de futebol de 2020 é sem precedentes. Foram escolhidas 13 cidades por todo o continente para abrigarem jogos de todo o torneio. São elas: Londres (ING), Glasgow (ESC), Baku (AZE), Bruxelas (BEL), Copenhague (DIN), Munique (ALE), Budapeste (HUN), Bilbao (ESP), Bucareste (ROM), Roma (ITA), São Petersburgo (RUS), Amsterdã (HOL) e Dublin (IRL).

Isso só é possível graças a um nível de integração política, de transporte e telecomunicações que apenas a Europa possui. Excelente iniciativa, além de muito boas cidades as escolhidas (em minha opinião faltou alguma de Portugal e da Escandinávia).

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Baku, no mar Cáspio, capital do Azerbaijão


Esses Dias na História

15 de Agosto

1823 – Adesão do Pará à Independência do Brasil

1824 – Escravos libertos do Estados Unidos fundam a Libéria

1853 – Fundação do município de Jaú por Bento Manoel de Moraes Navarro e outros bandeirantes

16 de Agosto

2006 – O Sport Club Internacional vence a Copa Libertadores da América pela primeira vez

2008 – César Cielo Filho ganha a primeira medalha de ouro olímpica da natação brasileira em Pequim

17 de Agosto

2008 – O nadador norte-americano Michael Phelps torna-se o primeiro atleta a conquistar oito medalhas de ouro na história dos Jogos Olímpicos

18 de Agosto

1964 – A África do Sul é banida dos Jogos Olímpicos pelo COI por não renunciar ao regime de “apartheid”

19 de Agosto

1981 – Entra no ar a TVS (Televisão Via Satélite) do SBT (Sistema Brasileiro de Televisão)

20 de Agosto

2016 – A Seleção Brasileira Olímpica masculina de futebol conquista pela primeira vez a medalha de ouro, nos Jogos do Rio de Janeiro

21 de Agosto

1898 – Fundação do Clube de Regatas Vasco da Gama

22 de Agosto

1942 – Entrada do Brasil na 2ª Guerra Mundial

23 de Agosto

1987 – O Brasil vence os EUA por 120 a 115 na final do basquete masculino nos Jogos Panamericanos de Indianápolis (EUA)

24 de Agosto

1954 – Getúlio Vargas, então Presidente do Brasil, suicida-se

25 de Agosto

1961 – O então Presidente do Brasil, Jânio Quadros, renuncia ao cargo sete meses após assumir

1991 – Michael Schumacher estreia na Fórmula 1, no GP da Bélgica

26 de Agosto

1914 – Fundação do Palestra Italia, atual Sociedade Esportiva Palmeiras

27 de Agosto

1828 – Reconhecimento do Império do Brasil à independência do Uruguai, que outrora fora sua Província Cisplatina

28 de Agosto

1992 – No Brasil, o processo de “impeachment” do presidente Fernando Collor é aprovado pela Câmara dos Deputados

29 de Agosto

1852 – Início da construção da primeira ferrovia brasileira, a “Estrada de Ferro Mauá”

30 de Agosto

1992 – Michael Schumacher vence pela primeira vez na Fórmula 1, em Spa-Francorchamps, Bélgica

31 de Agosto

1957 – A Malásia declara sua independência

1963 – Singapura declara a sua independência do Reino Unido

1º de Setembro

1910 – Fundação do Esporte Clube Noroeste

1910 – Fundação do Sport Club Corinthians Paulista

2 de Setembro

1971 – A seleção de futebol do Taiti ganha da sua similar das Ilhas Cook por 30 a 0 nos Jogos do Pacífico Sul. É até hoje a segunda maior goleada entre seleções, menor apenas que Austrália 31 x 0 Samoa Americana, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2002

3 de Setembro

1976 – Pouso da sonda “Viking 2” em Marte

4 de Setembro

1998 – Criado o “Google”

5 de Setembro

1972 – A delegação israelense nos Jogos Olímpicos sofre um atentado de autoria do grupo terrorista “Setembro Negro”; morrem 11 integrantes da delegação

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