Archive for the 'Esporte e Política' Category

Negócio da China

As negociatas que envolvem jogadores do campeonato brasileiro de futebol  que se transferem aos bandos para a China formam o “assunto do momento”. Dominam a imprensa. É o tempo todo. Está chato!

O futebol tornou-se política de estado na República Popular da China. E não porque o premiê chinês curte a modalidade. Não vai ser através do tênis de mesa e da ginástica que a imagem do país e dos seus produtos irão mudar. Afinal, quantas pessoas no planeta acompanham as competições desses esportes? Não como no futebol, assustadoramente desproporcional na capacidade de engajar praticantes e torcedores.

A China de Pequim quer se posicionar no mercado global e agregar valor à sua imagem percebida pelo mundo. Investem em patrocínios nos campeonatos europeus. Fortalecem a liga local através de rios de dinheiro oferecidos aos futebolistas brasileiros e seus agentes.

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Com um campeonato nacional forte, mostram ao mundo do que são capazes. Chamam a atenção. O futebol passa a olhar para eles.

Por analogia isso faz-me lembrar do Japão no início dos anos 1990 e da Rússia nos anos 2000. Reforçaram suas ligas locais. Os japoneses sediaram uma Copa em 2002. A Rússia receberá a de 2018, e salva a FIFA, que vai precisar da China em um breve futuro.

E ainda tem a Índia que há ‘pouco’ descobriu-se no futebol. Somados os dois mercados, chinês e indiano, temos quase a metade do planeta.

Dizem que o Brasil é o país do futuro. Sempre disseram. Com futebolistas de primeira linha indo embora em debandada, o campeonato nacional fica mais fraco e a seleção também. Não valerá a pena convocar para a seleção um atleta que mora do outro lado do mundo. Cansaço de viagem, fuso horário e o desgaste não vão contribuir para o rendimento do jogador.

Campeonato mais fraco, menor o interesse, menor a audiência, menos os anúncios, menos empregos gerados. Se os clubes não se organizarem, se não houver regulamentação do mercado esportivo, quem perde é o país.

O Esporte é o Melhor Diplomata

“Poucas pessoas sabem que o atleta tem que ser um diplomata A1, político e ‘apertador’ de mãos.”

Jack Rowan, jogador profissional de beisebol no início do século XX, sobre o papel além de atleta, época em que o esporte ajudava na promoção comercial e expansão territorial dos EUA

(Baseball Magazine, Maio/1914)

Hoje jogam um amistoso em Havana, Cuba, a seleção local e o Cosmos, de Nova York, emblemática instituição do futebol mundial.

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Mesmo sem nunca ter conquistado um título internacional expressivo, a projeção mundial da equipe é inegável e ela nem é membro da principal liga do soccer norte-americano. O Cosmos, do dono da Time-Warner como acionista, de Carlos Alberto, Chinaglia, Pelé, Beckenbauer, do Studio 54…do jet-set do baixo Manhattan, dos atuais Raúl e Marcos Senna, representam como ninguém uma cultura estadunidense do espetáculo, esporte e negócio.

Viajam para Cuba em um contexto de reaproximação entre os dois países, que caminha para o reestabelecimento de relações diplomáticas. Passam por um período de “quebrar o gelo”, consolidar relações de confiança. Diplomatas engravatados, trancafiados em escritórios, distantes do povo, doutrinados por Monroe ou Martí conseguiriam quebrar esse gelo? Não!

Nesses nobres momentos – que são a maioria e que representam o cotidiano -, os atletas assumem o papel de diplomatas. Jack Rowan, citado no início do texto, tem absoluta razão. Assim o Brasil o fez no Haiti, em 2004.

Cuba x Cosmos será bem difícil de ver aos olhos do futebol. No entanto, a positiva repercussão sócio-política será muito mais difícil de projetar.

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Lá da Armênia

Sou um grande fã do Papa Francisco.

Outro grande gesto dele foi dizer no último domingo que a primeira grande matança do Século XX foi o Genocídio Armênio (1915-1923), levado a cabo pelo Império Otomano. A Turquia herdou grande parte deste Império e não reconhece este fato. Por isso mesmo condenou o discurso do Papa e retirou o seu diplomata da Santa Sé, a fim de explicações.

Os armênios foram o primeiro povo que se constituiu como nação oficialmente Cristã. Tem pouco mais de 5 milhões de habitantes. Há muito mais descendentes de armênios espalhados pelo mundo. Diante do protagonismo político e econômico da Turquia, esse genocídio foi por muito tempo esquecido. Menos pelos armênios e descendentes. E agora, pelo Santo Padre! Em tempo: uma das contrapartidas para a Turquia ser aceita na União Europeia é o reconhecimento do Genocídio e pedido de desculpas formais.

A diáspora do povo armênio é consequência da perseguição dos Otomanos. Muitos deles vieram para o Brasil, Argentina, Estados Unidos e França. Por aqui pelo Brasil, contribuíram bastante para o esporte nacional:

Marcelo Djian é o 2ª da direita para a esquerda

Marcelo Djian é o 2ª da direita para a esquerda

Marcelo Kiremitdjian, ou simplesmente, Marcelo Djian, foi zagueiro do Corinthians, Lyon, Cruzeiro e Atlético Mineiro. Fábio Mahseredjian, um dos maiores profissionais em preparação física do futebol na atualidade. Krikor Mekhitarian, um dos maiores enxadristas do país. Na Argentina, David Nalbandian é notável tenista.

David Nalbandian

David Nalbandian

A Armênia é conhecida como a “Nação do Xadrez”. Entretanto, mundialmente temos como exponentes daquele país: Henrikh Mkhitaryan, atacante do Borussia Dortmund; Gokor Chivichyan é renomado treinador de MMA, que reside em Los Angeles/EUA; Karo Parisyan compete no MMA; Armen Nazaryan foi medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de 1996, na Luta Greco-Romana; e Arsen Julfalakyan, medalha de prata na mesma modalidade, em 2012.

Não nos esqueçamos do Genocídio Armênio cujo início completa 1 século neste ano.

Viva esse grande povo!

Cuba, Estados Unidos e o Beisebol

Recentemente Cuba e Estados Unidos retomaram diálogo que pode conduzir ao retorno das relações diplomáticas entre os dois países, rompido desde o início dos anos 1960.

Por mais que não possa parecer, historicamente eles são muito conectados. A independência cubana deu-se em período em que a Flórida era anexada por Washington. O tráfego de pessoas e embarcações era tão alto quanto pelo rio da Prata entre Uruguai e Argentina. Consequentemente, as duas sociedades (da Flórida e de Cuba) possuem vários pontos em comum, e as relações comerciais e políticas também sempre foram muito intensas. Obviamente o esporte não ficou de lado disso.

Levado pelos estadunidenses para Cuba, o beisebol tornou-se a modalidade número na ilha para identificar um povo contra o domínio espanhol, representado pelo futebol, pelota basca e pelas touradas. Ao longo da primeira metade do século XX, o intercâmbio no esporte entre as duas nações foi muito alta. Na década de 40, Fidel Castro, um dos líderes da Revolução Cubana de 1959 e ex-presidente do país, tentou uma vaga nos Senators, de Washington, equipe das grandes ligas dos EUA. Em várias ocasiões os revolucionários utilizaram o esporte como propaganda e, claro, assim foi com o beisebol.

Nos Estados Unidos, o beisebol tem raízes no ambiente militar, e isso explica em parte a ‘patriotização’ dos seus jogos, além de boa parte dos seus comissários terem sido antes coronéis e generais. Uma das primeiras aparições públicas do ex-presidente George W. Bush depois dos atentados de 11 de Setembro de 2001, foi em um jogo dos Yankees de Nova York, ao arremessar a primeira bola.

Sem sombra de dúvidas que o beisebol terá um papel importantíssimo na reaproximação dos dos países.

Feliz 2015 a todos!

 

Money Talks – محادثات المال –

O mercado fala mais alto, quem tem o poder de compra detém as preferências e os produtos precisam se adaptar ao mercado. Nessa linha de pensamento, para conquistar o mercado Islâmico, Real Madrid e Barcelona fizeram significativas mudanças em seus escudos.

O FC Barcelona suprimiu a cruz de São Jorge no quarto quadrante, que também representava as Cruzadas na antiguidade, cujos objetivos eram sobretudo a Cristianização de territórios onde hoje habitam povos de imensa maioria muçulmana.

Historicamente a Casa de Bourbon sempre foi vinculada à Igreja Católica. Pot isso o Real Madrid CF fez algo parecido. Para ter um produto mais aceito entre os Islâmicos, retirou a cruz acima da coroa de seu símbolo.

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O mercado fala alto, o dinheiro fala alto, e fala em árabe: محادثات المال

Oh my Drone!

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Um drone (pequeno helicóptero não tripulado) invadiu ontem o espaço aéreo do estádio do Partizan, em Belgrado, no jogo de futebol entre as vizinhas Sérvia e Albânia, pelo apuramento ao Campeonato Europeu de Seleções Nacionais (Eurocopa). Levava consigo uma bandeira com mapa da ‘Grande Albânia’, que toma parte do território sérvio, com a inscrição: “Autonomia”. Claro, os sérvios não gostaram e um jogador saltou e colocou abaixo drone e bandeira. Alguns albaneses, em reprovação ao ato contra a bandeira, partiram para cima do sérvio. Depois disso viu-se uma batalha campal, invasão de campo e consequente suspensão da partida.

O fato lembrou-me o episódio da bandeira croata no mundial de basquetebol de 1990. À época, a Iugoslávia se desintegrava: croatas, eslovenos, sérvios, bosníacos, macedônios, montenegrinos e kosovares não se entendiam e os movimentos separatistas ganhavam mais força. Ao mesmo tempo os iugoslavos tornam-se os campeões mundiais no basquete. Na comemoração, um jovem invade a quadra com a bandeira da Croácia. Vlade Divac, pivô de origem sérvia, tira a bandeira das mãos do jovem e a joga ao chão. Seu colega de equipe Drazen Petrovic (de origem croata) não gosta da atitude e rompe a amizade com Divac. Tudo isso é contado no documentário “Once Brothers”, da ESPN.

As tensões nos Bálcãs são seculares. Se antes as hostilidades eram transferidas para a conflito bélico, hoje é através do esporte, um dos principais instrumentos de representação nacional.

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No universo do marketing esportivo fala-se muito da digressão, da excursão de equipes esportivas para o exterior para fins comerciais. Na primeira metade do século XX elas aconteciam mas com finalidades mais ‘românticas’. As equipes de futebol da Inglaterra, da Itália e da Espanha vinham com frequência para a América do Sul. No entanto, não havia a lógica de mercado como existe hoje.

Atualmente essas equipes vão para a Ásia e a América do Norte: é comum ver Arsenal, Manchester United e Internazionale jogarem contra times da MLS (Major League Soccer). Por outro lado, franquias e ligas da América do Norte vão para a Europa e Ásia, como a NFL que organiza jogos em Londres e a NBA que tem o “Global Tour”. Iniciativas como esta posicionam a franquia, o jogo, a liga e o país, Estados Unidos (isso explica de as logos das ligas estadunidenses terem as cores branca, azul e vermelha). No século XIX o beisebol já fazia a política externa americana.

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Se na antiguidade as Cruzadas e as navegações tinham como um dos objetivos a catequização de outros povos. As digressões esportivas não deixam de ser diferentes, mas com outra religião.


Esses Dias na História

15 de Agosto

1823 – Adesão do Pará à Independência do Brasil

1824 – Escravos libertos do Estados Unidos fundam a Libéria

1853 – Fundação do município de Jaú por Bento Manoel de Moraes Navarro e outros bandeirantes

16 de Agosto

2006 – O Sport Club Internacional vence a Copa Libertadores da América pela primeira vez

2008 – César Cielo Filho ganha a primeira medalha de ouro olímpica da natação brasileira em Pequim

17 de Agosto

2008 – O nadador norte-americano Michael Phelps torna-se o primeiro atleta a conquistar oito medalhas de ouro na história dos Jogos Olímpicos

18 de Agosto

1964 – A África do Sul é banida dos Jogos Olímpicos pelo COI por não renunciar ao regime de “apartheid”

19 de Agosto

1981 – Entra no ar a TVS (Televisão Via Satélite) do SBT (Sistema Brasileiro de Televisão)

20 de Agosto

2016 – A Seleção Brasileira Olímpica masculina de futebol conquista pela primeira vez a medalha de ouro, nos Jogos do Rio de Janeiro

21 de Agosto

1898 – Fundação do Clube de Regatas Vasco da Gama

22 de Agosto

1942 – Entrada do Brasil na 2ª Guerra Mundial

23 de Agosto

1987 – O Brasil vence os EUA por 120 a 115 na final do basquete masculino nos Jogos Panamericanos de Indianápolis (EUA)

24 de Agosto

1954 – Getúlio Vargas, então Presidente do Brasil, suicida-se

25 de Agosto

1961 – O então Presidente do Brasil, Jânio Quadros, renuncia ao cargo sete meses após assumir

1991 – Michael Schumacher estreia na Fórmula 1, no GP da Bélgica

26 de Agosto

1914 – Fundação do Palestra Italia, atual Sociedade Esportiva Palmeiras

27 de Agosto

1828 – Reconhecimento do Império do Brasil à independência do Uruguai, que outrora fora sua Província Cisplatina

28 de Agosto

1992 – No Brasil, o processo de “impeachment” do presidente Fernando Collor é aprovado pela Câmara dos Deputados

29 de Agosto

1852 – Início da construção da primeira ferrovia brasileira, a “Estrada de Ferro Mauá”

30 de Agosto

1992 – Michael Schumacher vence pela primeira vez na Fórmula 1, em Spa-Francorchamps, Bélgica

31 de Agosto

1957 – A Malásia declara sua independência

1963 – Singapura declara a sua independência do Reino Unido

1º de Setembro

1910 – Fundação do Esporte Clube Noroeste

1910 – Fundação do Sport Club Corinthians Paulista

2 de Setembro

1971 – A seleção de futebol do Taiti ganha da sua similar das Ilhas Cook por 30 a 0 nos Jogos do Pacífico Sul. É até hoje a segunda maior goleada entre seleções, menor apenas que Austrália 31 x 0 Samoa Americana, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2002

3 de Setembro

1976 – Pouso da sonda “Viking 2” em Marte

4 de Setembro

1998 – Criado o “Google”

5 de Setembro

1972 – A delegação israelense nos Jogos Olímpicos sofre um atentado de autoria do grupo terrorista “Setembro Negro”; morrem 11 integrantes da delegação

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