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Filosofia de Trabalho II

Como continuação do post anterior, escrito há mais de 2 meses, dou sequência no tema da “Filosofia de Trabalho”, tão importante para quaisquer organizações, esportivas ou não.

O conhecido Club Atlético River Plate (Buenos Aires/ARG) foi rebaixado dentro de campo em Junho/2011. Fora de campo, afundado em dívidas. Realizaram eleições e assumiu um novo presidente – remunerado e de dedicação integral -, responsável por criar uma equipe de gestores que daria a volta por cima com o clube anos mais tarde, e conquistaria a Copa Bridgestone Libertadores de 2015.

Recorto aqui alguns trechos da matéria “This is the Story of the Fall and Rise of River” (Esta é a Estória da Queda e Ascensão do River) da renomada revista inglesa “Four Four Two”. Algumas das mudanças mais significativas foi o resgate da filosofia do clube e o estabelecimento de uma cultura e ética de trabalho.

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“Mas algo se destaca, a coisa mais importante foi filosofia. Nós voltamos às nossas origens, desde as categorias de base até a equipe principal, de respeitar o estilo que nos tornou grandes e a nossa maneira de se jogar futebol. ” (tradução nossa)

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“…River começou a desempenhar com os 3 Gs que foram uma parte importante da aproximação do clube com o seu jogo: Ganar (Ganhar), Gustar (aproveitar/divertir-se) e Golear (golear).” (tradução nossa)

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“E para o River, ser River novamente foi, sobretudo, uma vitória de caráter.” (tradução nossa)

É cada vez mais evidente a questão de estabelecer uma filosofia organizacional nas instituições esportivas. Os próprios resultados das grandes equipes de ponta nas mais diversas modalidades deixam isso ainda mais claro.

Filosofia de Trabalho

Filosofia: Amigo da sabedoria, ou amor pelo saber, estudo dos problemas fundamentais ligados à existência, ao conhecimento, à verdade, aos valores morais e estéticos. Do grego Φιλοσοφία.

Para uma organização (esportiva ou não) implementar uma filosofia de trabalho (a verdade e os princípios morais dela), com base em sua missão, visão e valores, leva um tanto de tempo. Ela é importante para a adaptação de um colaborador e o estabelecimento de uma rotina, assim como é um dos fatores responsáveis por proporcionar entrosamento em uma equipe. É a representação da cultura de uma instituição. Em muitos casos, a implementação de uma filosofia de trabalho vem acompanhada por uma cartilha de direitos e deveres do colaborador.

Parece fútil, mas faz toda a diferença. Instituições centenárias, ou mais recentes porém sólidas, baseiam-se em uma cultura que se vislumbra em um primeiro momento para depois se desenvolver ao longo do tempo.

No futebol, dizem que o Corinthians possui algo parecido. Uma vez me disseram que o funcionário de chão de fábrica do clube é treinado a levar consigo a máxima “Aqui é Corinthians”. No Grêmio, igual, com a contratação de Roger como treinador do plantel principal e a manutenção de comissões técnicas fixas nas categorias de base. Aos poucos elas passarão aos jovens atletas um jeito de atuar próprio do clube, construído em mais de um século, através de jogadores notáveis e títulos importantes. No São Paulo, o Centro de Treinamento em Cotia possui poucos funcionários terceirizados, pelo mesmo motivo (funcionários do clube se identificam com ele, têm a essência do clube).

Insisto no tema porque reconheço este ser um dos problemas do esporte no Brasil, sobretudo no futebol. Os que citei no parágrafo anterior, são algumas exceções. O problema também ocorre em outros países. Patrick Vieira (hoje técnico do New York CFC) não quer ser treinador na Liga Inglesa porque acredita não terá tempo suficiente de implementar uma cultura de trabalho. Ele declarou à revista “FourFourTwo”: “It’s all about winning. There’s so much pressure” (Tudo é questão de vitória / É muita pressão).

Conheço um pouco dos All Blacks e a União de Rugby da Nova Zelândia. Quem é convocado para a seleção pela primeira vez ou é recrutado para trabalhar na sede da federação passa por um período de treinamento para saber onde se vai trabalhar (ou jogar), para quem (com quem) e quem na história ajudou a fazer a instituição. Isso sustentado pela Missão, Visão e seus Valores.

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Voltamos ao Corinthians e especificamente ao seu treinador, Tite. Queriam mandá-lo embora depois de uma derrota para o Tolima, na Pré-Libertadores, em 2011. Apesar do revés, mantiveram-no no cargo. Abriram mão dos resultados e da pressão (o que Vieira disse haver na Liga Inglesa, torneio que achamos exemplo de planejamento e implementação de cultura de trabalho dentro do esporte) e com o tempo criaram uma equipe campeã, sem estrelismo ou protagonistas, e em que a instituição de fato parecia estar em primeiro lugar.

Não sei por quais motivos o Tite ficou no cargo. Quero muito acreditar que tenha sido uma opção feita a partir da cultura da organização.

Negócio da China

As negociatas que envolvem jogadores do campeonato brasileiro de futebol  que se transferem aos bandos para a China formam o “assunto do momento”. Dominam a imprensa. É o tempo todo. Está chato!

O futebol tornou-se política de estado na República Popular da China. E não porque o premiê chinês curte a modalidade. Não vai ser através do tênis de mesa e da ginástica que a imagem do país e dos seus produtos irão mudar. Afinal, quantas pessoas no planeta acompanham as competições desses esportes? Não como no futebol, assustadoramente desproporcional na capacidade de engajar praticantes e torcedores.

A China de Pequim quer se posicionar no mercado global e agregar valor à sua imagem percebida pelo mundo. Investem em patrocínios nos campeonatos europeus. Fortalecem a liga local através de rios de dinheiro oferecidos aos futebolistas brasileiros e seus agentes.

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Com um campeonato nacional forte, mostram ao mundo do que são capazes. Chamam a atenção. O futebol passa a olhar para eles.

Por analogia isso faz-me lembrar do Japão no início dos anos 1990 e da Rússia nos anos 2000. Reforçaram suas ligas locais. Os japoneses sediaram uma Copa em 2002. A Rússia receberá a de 2018, e salva a FIFA, que vai precisar da China em um breve futuro.

E ainda tem a Índia que há ‘pouco’ descobriu-se no futebol. Somados os dois mercados, chinês e indiano, temos quase a metade do planeta.

Dizem que o Brasil é o país do futuro. Sempre disseram. Com futebolistas de primeira linha indo embora em debandada, o campeonato nacional fica mais fraco e a seleção também. Não valerá a pena convocar para a seleção um atleta que mora do outro lado do mundo. Cansaço de viagem, fuso horário e o desgaste não vão contribuir para o rendimento do jogador.

Campeonato mais fraco, menor o interesse, menor a audiência, menos os anúncios, menos empregos gerados. Se os clubes não se organizarem, se não houver regulamentação do mercado esportivo, quem perde é o país.

Money Talks – محادثات المال –

O mercado fala mais alto, quem tem o poder de compra detém as preferências e os produtos precisam se adaptar ao mercado. Nessa linha de pensamento, para conquistar o mercado Islâmico, Real Madrid e Barcelona fizeram significativas mudanças em seus escudos.

O FC Barcelona suprimiu a cruz de São Jorge no quarto quadrante, que também representava as Cruzadas na antiguidade, cujos objetivos eram sobretudo a Cristianização de territórios onde hoje habitam povos de imensa maioria muçulmana.

Historicamente a Casa de Bourbon sempre foi vinculada à Igreja Católica. Pot isso o Real Madrid CF fez algo parecido. Para ter um produto mais aceito entre os Islâmicos, retirou a cruz acima da coroa de seu símbolo.

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O mercado fala alto, o dinheiro fala alto, e fala em árabe: محادثات المال

Imbróglios

Esta última semana ficou marcada pela renúncia de Alexandre ‘Sandro’ Rosell à presidência do FC Barcelona, acusado de apropriação indevida de recursos quando da recente compra dos trabalhos de Neymar. Isso não é novidade. Na Alemanha, Uli Hoeness – dirigente do Bayern de Munique – será julgado em Março por sonegação de impostos, mas o caso não levou a deixar o cargo que ocupa.

No mesmo dia do imbróglio blaugrana, Neymar posta uma foto sorrindo. A compra dele – e não ele – foi o pivô disso tudo. Além disso, vazam um vídeo íntimo de um zagueiro brasileiro. Obviamente o clube o dispensa – e não o demite – para tratar do assunto. Correta atitude, com bom senso, envolve a vida pessoal do funcionário. Em outras circunstâncias, caberia a demissão.

São centenas de polêmicas no mundo do esporte a cada semana.

Lição disso é a de que a indústria do esporte deve se proteger para preservar 1) o atleta, centro dessa indústria e o 2) torcedor/consumidor, o público-alvo dessa indústria. Há diversas formas de se proteger, é só estabelecer no contrato. Se – como acontece em inúmeras modalidades de alto-rendimento – o atleta/funcionário não pode andar de motocicleta ou esquiar (risco de lesão muito alto e isso acaba por interferir no resultado do produto esportivo), poderia também não postar qualquer parvoíce textual ou visual em rede social.

Quanto aos dirigentes, sugiro lembrar Raphaël Ibañez, antigo capitão da seleção francesa de rugby: ‘como queremos ser lembrados pela sociedade? As pessoas nos têm como exemplos. Sejamos os exemplos!

O Comentar

Comentarista é aquele que comenta. Geralmente conhece o assunto que comenta.

O trabalho e a presença do comentarista é importantíssimo dentro da mídia porque esclarece dúvidas e minimiza questionamentos e recheia o discurso de dados e certezas. Deixa a informação ao alcance de todos e muito mais completa.

Comentar é uma arte e é preciso ter cuidado. Para um comentarista ter mais credibilidade, que fale apenas aquilo que conhece. Não há espaço para achismos e é preciso muito cuidado com os bastidores. Ninguém – a não ser quem vive o dia-a-dia dentro deles – sabe como funcionam os bastidores. Ademais, como todo o profissional, atletas, clubes e até o próprio comentarista possui altos e baixos. Que isso seja respeitado.

Comentarista é aquele que prova aquilo que fala e respeita quem faz o espetáculo: o atleta e o torcedor.

Museosportabilidade

Experiência. É o que um museu transmite aos frequentadores. Experiência de adentrar na história e reviver épocas. Um museu esportivo além disso, resgata os valores e a identidade de uma instituição e como ela foi sendo construída ao longo do tempo, a fim de cativar e fidelizar seguidores e simpatizantes.

O museu do FC Barcelona é o mais visitado daquela cidade, assim como o do futebol, em São Paulo. O memorial do Santos FC também. Os da União de Rugby da Nova Zelândia (NZRU), do Estádio Azteca e do futebol sul-americano, existem, possuem grande potencial, mas são pouco explorados. O esporte e as organizações esportivas fazem parte de contextos político-sócio-econômicos de uma sociedade e, associados à formação de uma identidade local, nada mais conveniente do que ganharem forma através de museus. Já dizia Marcel Mauss: ‘o futebol é um fato social total’.

Fisicamente ou não, cada apaixonado pelo esporte guarda um museu repleto de recordações. Essas recordações nos remetem a emoções positivas e dá mais magia ao ele, que se abastece de fatos dia a dia.

Veja como o Sport Lisboa e Benfica sabe bem utilizar a paixão de cada um dos seus adeptos e façam o quiz abaixo do video:

 

 

 


Esses Dias na História

17 de Agosto

2008 – O nadador norte-americano Michael Phelps torna-se o primeiro atleta a conquistar oito medalhas de ouro na história dos Jogos Olímpicos

18 de Agosto

1964 – A África do Sul é banida dos Jogos Olímpicos pelo COI por não renunciar ao regime de “apartheid”

19 de Agosto

1981 – Entra no ar a TVS (Televisão Via Satélite) do SBT (Sistema Brasileiro de Televisão)

20 de Agosto

2016 – A Seleção Brasileira Olímpica masculina de futebol conquista pela primeira vez a medalha de ouro, nos Jogos do Rio de Janeiro

21 de Agosto

1898 – Fundação do Clube de Regatas Vasco da Gama

22 de Agosto

1942 – Entrada do Brasil na 2ª Guerra Mundial

23 de Agosto

1987 – O Brasil vence os EUA por 120 a 115 na final do basquete masculino nos Jogos Panamericanos de Indianápolis (EUA)

24 de Agosto

1954 – Getúlio Vargas, então Presidente do Brasil, suicida-se

25 de Agosto

1961 – O então Presidente do Brasil, Jânio Quadros, renuncia ao cargo sete meses após assumir

1991 – Michael Schumacher estreia na Fórmula 1, no GP da Bélgica

26 de Agosto

1914 – Fundação do Palestra Italia, atual Sociedade Esportiva Palmeiras

27 de Agosto

1828 – Reconhecimento do Império do Brasil à independência do Uruguai, que outrora fora sua Província Cisplatina

28 de Agosto

1992 – No Brasil, o processo de “impeachment” do presidente Fernando Collor é aprovado pela Câmara dos Deputados

29 de Agosto

1852 – Início da construção da primeira ferrovia brasileira, a “Estrada de Ferro Mauá”

30 de Agosto

1992 – Michael Schumacher vence pela primeira vez na Fórmula 1, em Spa-Francorchamps, Bélgica

31 de Agosto

1957 – A Malásia declara sua independência

1963 – Singapura declara a sua independência do Reino Unido

1º de Setembro

1910 – Fundação do Esporte Clube Noroeste

1910 – Fundação do Sport Club Corinthians Paulista

2 de Setembro

1971 – A seleção de futebol do Taiti ganha da sua similar das Ilhas Cook por 30 a 0 nos Jogos do Pacífico Sul. É até hoje a segunda maior goleada entre seleções, menor apenas que Austrália 31 x 0 Samoa Americana, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2002

3 de Setembro

1976 – Pouso da sonda “Viking 2” em Marte

4 de Setembro

1998 – Criado o “Google”

5 de Setembro

1972 – A delegação israelense nos Jogos Olímpicos sofre um atentado de autoria do grupo terrorista “Setembro Negro”; morrem 11 integrantes da delegação

6 de Setembro

1991 – A cidade de Leningrado volta a chamar-se São Petesburgo, e a União Soviética reconhece a independência das repúblicas do Báltico: Letônia, Estônia e Lituânia

7 de Setembro

1911 – Fundação do Grêmio Esportivo Brasil, em Pelotas

1920 – Criação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a primeira universidade federal do país, pelo então presidente Epitácio Pessoa

1949 – Fundação oficial da República Federal da Alemanha (Alemanha Ocidental), 1949-1990

8 de Setembro

1991 – A República da Macedônia declara sua independência em relação à Iugoslávia. O nome oficial do país é até hoje: Antiga República Iugoslava da Macedônia

9 de Setembro

1776 – Estados Unidos: o Congresso Continental autoriza o nome United States of America

1791 – Fundação de Washington, D.C., a capital dos Estados Unidos

1888 – A Marinha do Chile toma posse da Ilha de Páscoa

10 de Setembro

1808 – É lançada a Gazeta do Rio de Janeiro, primeiro jornal impresso no Brasil

 

Mundo Virga

Mesa Oval #74: um grande encontro! 
Obrigado Diego, Victor, Taveira e Flávio por momentos muito bacanas! 
Quem ainda não ouviu, segue o link com o Pelicano que virou Cigano, Sr Flávio Santos: central3.com.br/mesa-oval-74-flavio-santos
🏉 #culturaderugby

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